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quinta-feira, 29 de março de 2012

Crédito fácil: O golpe dos falsos empréstimos

Não é de hoje que ouvimos histórias de que o amigo do amigo caiu no "golpe" de uma empresa fantasma de crédito.

A história é sempre a mesma: a pessoa acha um site na internet, faz o cadastro online ou via telefone, paga via boletos ou depósito em conta (geralmente neste caso em nome de pessoas físicas _ os famosos "laranjas") e, o empréstimo não vem.

Afinal, quais são os cuidados que o consumidor deve ter para que não se torne mais uma vítima do “Golpe do Crédito Fácil”? 

A crise econômica que abalou o mundo nos últimos anos trouxe oportunidades incríveis para um time peculiar de vigaristas: os golpistas do crédito fácil. Precisando de dinheiro rápido para quitar dívidas vencidas ou resolver emergências financeiras pessoais, muita gente procura alternativas para fugir dos altos juros cobrados por bancos e instituições financeiras, especialmente aqueles oriundos de cartões de crédito e cheque especial. 

Analise as expressões a seguir e responda sinceramente se parece ou não tentador: juros baixíssimos, nenhuma burocracia, aprovação imediata por telefone sem consulta a SCPC e Serasa, quitação via boleto com a primeira fatura somente daqui a trinta dias e empréstimos de até meio milhão para pagamento em dez anos! Incrível, não? Pois são as expressões típicas dos anúncios que os golpistas publicam classificados de jornais, panfletos e pela internet, a fim de atrair suas vítimas. 

O que acontece imediatamente é o consumidor, impressionado com a proposta quase miraculosa, se torna a vítima ao telefonar para a falsa financeira. 

A ocorrência será sempre a mesma, a vítima liga para a empresa, esta solicita informações cadastrais e retorna logo em seguida, informando que o crédito foi aprovado. Entretanto, informa também que é necessário o depósito antecipado de uma pequena quantia, para que o dinheiro seja liberado. 

Crédula, a vítima deposita o valor solicitado, mas o dinheiro não é liberado. Quando tenta telefonar novamente para a financeira, geralmente ocorrem duas situações: 
  • O telefone não é atendido; 
  • O golpista informa que surgiram complicações para a liberação do dinheiro e solicita o depósito de outra pequena quantia. 

Em ambos os casos, em questão de poucos dias ou semanas a falsa financeira simplesmente desaparece, muitas vezes sem deixar vestígios. Nem é preciso afirmar que as possibilidades de recuperação do dinheiro investido pela vítima são baixíssimas, quase nulas. 

Os golpistas obtém números de telefone através de falsos documentos, utilizam contas correntes inativas há muitos anos ou mesmo abrem novas contas correntes em nome de pessoas desaparecidas ou que já morreram. Contratos de Concessão de Crédito aparentemente bem elaborados e marcas imponentes reforçam ainda mais o espectro de credibilidade da complexa armadilha criada pelos golpistas. 

Alguns cuidados são importantes para que você não seja mais uma vítima do golpe do crédito fácil: 
  • Informe-se junto ao Banco Central (0800-992345) se a suposta empresa realmente existe, e se está habilitada a oferecer e realizar tais empréstimos; 
  •  Não realize depósitos antecipados para a obtenção do crédito. Se o fizer, certamente perderá seu dinheiro; 
  • Valha-se do bom senso e desconfie de anúncios de crédito mirabolantes e exagerados, especialmente aqueles que dispensam garantias ou consulta a restrições nos serviços de proteção ao crédito. 
  •  Se você foi vítima desse golpe, arquive todo o material publicitário que puder sobre a falsa empresa, bem como correspondências, comprovantes de pagamento ou depósito bancário e consulte imediatamente um Advogado, Defensor Público, Ministério Público ou PROCON sobre a realidade jurídica do seu problema. 
Embora tais fraudes sejam em geral complexas e bem elaboradas, em alguns raros casos é possível identificar caminhos para a eventual responsabilização civil de empresas ou agentes que facilitaram a ocorrência das condições para a fraude. 

Em se tratando de crédito fácil e rápido, é sempre válido ponderar o conselho do pensador romano Publilius Syrius: “não há nada que se possa fazer ao mesmo tempo com cautela e rapidez.”

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